Programa de Textos: Uma cosmogonia periférica: sobre a 6ª Bienal de Arte de São Paulo


Erica Ferrari



“Toda a arte moderna inspirou-se na arte dos povos periféricos [...]’– com essa clareza de percepção, o crítico Mário Pedrosa empreendeu algumas das propostas mais radicais para o circuito artístico institucional brasileiro. Entre elas, a 6ª Bienal de Arte de São Paulo, por ele organizada em 1961, trouxe produções de diferentes [supostas] ‘periferias’, de variadas épocas, de contextos dos mais diversos – apresentando um conjunto de riqueza estética, simbólica e social que ainda reverbera. Como deve ter sido a experiência de ver lado a lado, um conjunto de afrescos medievais da antiga Iugoslávia, a obra de Kurt Schwitters e esculturas barrocas do Paraguai? Ou a pintura de Clemente Orozco, peças aborígenes australianas e os trabalhos de Pedro Figari? Essa junção de manifestações parece de fato capaz de friccionar os parâmetros do que se pôde julgar até então como arte moderna – entendida como a mais alta criação da sociedade Ocidental.”







Exposições:

ANESTESIA, ANISTIA, AMNESIA
: Regina José Galindo


09/02 - 14/04/23
org. Cris Ambrosio e Pontogor. Texto de Tom Nóbrega



colemos a língua no congelador, treinemos para o silêncio / você monta uma cena em que tua boca é invadida por uma luva de látex durante a leitura de uma série de depoimentos / você nos lembra da assepsia legitimada dos tribunais que tentam barrar os testemunhos / dessa vez, aquele que abre a tua boca, usando roupas azuladas de hospital, segue instruções tuas / você nos lembra da invasão disfarçada por trás de toda assepsia / nos containers de detenção norte-americanos, destinados aos latinos que ousam cruzar a fronteira / reina uma assepsia semelhante àquela que impera nos aeroportos, hospitais, museus e galerias de arte / num espaço em si mesmo anestesiado, você lança mão da tua brutalidade alegórica para assinalar a anestesia, romper com a indiferença / a morte não tem metáfora / é simples e clara / você deixa de funcionar / fica teso / no meio de tudo / tuas alegorias vivas e tensas procuram apontar para a nossa indiferença em relação àqueles que não estão aqui /

 










Programa de Textos: De vidro. Por que não recua ou morre?


Laila Terra


É preciso entender mais do que o conjunto elementar que compõe a Farnsworth House como signo estético. É preciso entrar no contexto histórico da linguagem que abrange esse signo específico, porque toda linguagem está consignada a um determinado tempo e espaço. É necessário identificar as falas aplicadas à casa e aos personagens que dela se ocuparam nas distintas conjunturas. Quem era Mies van der Rohe, quando foi contratado por Edith, e quais eram os enunciados relativos a ele? Quem era Edith Farnsworth, a contratante, e como ela foi representada pela história (de 1940 a 2020)? Em que época a casa foi projetada e onde? Quais os elementos construtivos propostos por Mies? Qual foi a reação de Edith depois da casa pronta e o que isso acarretou? E, por fim, o que ocorreu com a casa ao longo tempo (de 1951 até 2020)? Finalmente, com esses dados, podemos confrontar os discursos.















































Durante 6 meses, Antônio Ewbank, Bruno Baptistelli, Erica Ferrari, Pontogor e Tom Nóbrega receberam uma bolsa para desenvolver suas pesquisas em intersecção com o arquivo da coleção moraes-barbosa.